“E o pior ainda estava por vir. Em São Luís, somente 231 ônibus de quase 1 mil estão preparados para receber quem usa cadeira de rodas. Antônio chegou ao ponto de ônibus às 15h45. Três veículos adaptados pararam, mas o equipamento não funcionou em nenhum. Quando deu certo, ainda teve que explicar como fazer a plataforma se movimentar. O embarque aconteceu duas horas e treze minutos depois da chegada ao ponto."Nestes termos, a apresentadora Patrícia Poeta referiu-se a São Luís no programa Fantástico de ontem (28/03), enquanto era veiculada uma matéria sobre transportes coletivos adaptados para cadeirantes em cinco capitais brasileiras.
Em termos de acessibilidade, fosse só este o problema e as coisas seriam bem mais fáceis aos deficientes. Mas não, aqui em São Luís, calçadas desniveladas e estreitas, batentes onde não deveriam existir, lixo nas calçadas e sarjetas, buracos e toda uma série de obstáculos existem para dificultar o acesso de deficientes físicos, sem que ninguém – atenção senhores vereadores - se preocupe com isso.
Aliás, aqui se tem o hábito – ilegítimo, é claro – de achar que a calçada é propriedade do morador da casa em frente, e que a ele cabe o direito de fazer o que quiser com ela, quando na verdade as coisas não são bem assim, ou não deveriam ser. Calçada é o lugar para que o pedestre transite com segurança, sem ser atingido por um veículo qualquer ou mesmo por pingos de água que caem de aparelhos de ar condicionado. Calçada é lugar de pedestre, não de carros estacionados de forma a atrapalhar quem quer passar. Calçada é um lugar público que não está incluído como propriedade de ninguém em nenhuma escritura imobiliária. As dimensões de um imóvel, determinadas em sua escritura, vão do muro frontal ao muro dos fundos, também limitados pelos muros laterais. Não inclui as calçadas. Calçada existe para permitir o ir e vir de transeuntes, inclusive de deficientes físicos.
Mas voltando ao caso dos transportes coletivos apresentado pelo Fantástico. São Luís, talvez possua, entre capitais, o pior serviço de transportes urbanos do país. A frota de ônibus pequena e insuficiente é composta de uma grande maioria de veículos velhos e sem manutenção. Nem mesmo os mais novos recebem o zelo que deveriam receber para bem atender aos usuários. São geralmente ônibus sujos, maltratados, sem manutenção e conduzidos por motoristas despreparados para lidar com o público, que não tem o menor respeito pelos passageiros e transitam como se estivessem disputando rachas com outros ‘motoras’, isto quando realmente não estão, mesmo com os veículos nas condições precárias em que circulam. O povo não é gado e o serviço de transporte coletivo é uma concessão municipal bancada, naturalmente, pelo dinheiro do povo, portanto, o povo merecia mais respeito.
Antes de conseguir ser transportado, duas horas e treze minutos depois de sua chegada ao ponto, o cadeirante Sr. Antonio, assistiu à parada de três outros veículos adaptados cujos equipamentos não funcionaram. Num dos ônibus filmados, vê-se claramente lixo e sujeira acumulados nos batentes do elevador. É até natural de se imaginar os motivos do não funcionamento da engrenagem. Devem estar emperradas com ferrugem e sujeira, com certeza não testadas periódica e preventivamente. Uma dura realidade para os que necessitam que se criem facilitações e lhes dêem mais qualidade de vida.
Em termos de qualidade de vida, ainda estamos muitos anos luz atrasados. E somos obrigados a nos vermos nos noticiários de TV’s como se ainda estivéssemos nos tempos da pedra lascada.
E viva o progresso!!!
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Outra nota do mesmo programa global referindo-se ao Maranhão, dava conta do triste quadro em que se encontram os órgãos de saúde maranhenses, levantados à partir da morte da garota Maiara Coelho, de 8 anos, vitimada por meningite, à qual não resistiu após ficar dez dias internada no corredor de um hospital público de Imperatriz. Só então tendo sido transferida para a UTI de um hospital particular, por força de uma liminar judicial. A reportagem informa ainda que 17 crianças morreram este ano no Maranhão por falta de leitos em UTI's.
Já é hora de se perguntar: E aí senhora governadora, cadê os 65 hospitais que a senhora se comprometeu a contruir até o fim do seu mandato? Até agora nenhum foi sequer acabado. Não teria sido melhor investir em equipamentos e capacitação dos recursos materiais e humanos já existentes?
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